
Escrito por Rodrigo Elesbão às 01h42
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sobre eu, este blog e o Mário*.
Minha primeira intenção neste blog era escrever um texto de boas vindas, daqueles que instigam o leitor cabeça a seguir adiante. Redigi um que, ao meu ver, seria o mais bem redigido dos blogs no mundo ( é sério; este blog é sério). Mas deletei ao invés de salvar. Portanto este é o único dos blogs no mundo a não possuir um texto de boas vindas ( porcaria de Suporte ao Usuário Online).
Pode rir, mas não chore.
* não me pergunte qual !
Escrito por Rodrigo Elesbão às 01h41
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sobre a Copa, o Orkut e o comercial de absorvente
as maravilhas do mundo digital
Eu odeio o orkut. Eu odeio alguns programas de TV. Eu odeio celular. E odeio certas revistas. Eu odeio pagers. Eu odeio Messengers. Se bobear, eu odeio até blog. E, pasme, você também odeia. Ah, odeia sim. Só que você, assim como eu, ainda não sabe. E o que é pior, nós somos viciados nisso tudo. E também não sabemos disso!
Quer exemplos? Orkut. Pra cada comunidade decente, existem umas cem cujos assuntos vão de queda de celular em privada a coleção de fotos de cocô ( pesquise, elas estão lá ), sem contar que, pode assumir, seu (a) namorado (a) vive fuçando no teu orkut ( êpa! ) e já pegou no teu pé por causa de alguma mensagem - aliás, bem besta. Celular, idem. De cada dez ligações recebidas, oito são completamente inúteis, tipo " onde cê tá? " ( e as duas que realmente são importantes sempre chegam em momento impróprio). A questão é: precisamos realmente de todo este aparato tecnologico, e de toda a informação que vem com ele ?
cagadas, avalanches e show do milhão
Do início dos anos 80 para cá o mercado de equipamentos de comunicação remota e transmissão de dados tem crescido em velocidade estonteante. O PC, inventado nos Estados Unidos pela IBM, já era comum nas grandes empresas e, já no meio daquela década, fomentava-se o que viria a ser a Internet. Foi então que jovens como Stephen Jobs ( futuro dono da Apple Computer), Paul Allen ( fufuro sócio da Microsoft), Bill Gates ( quem é esse cara?) e mais uma pá de nerds deram o maior tiro no escuro de suas vidas ao investir tudo ( ou seja, quase nada ) naquele incógnito mercado. Como ficou provado na década seguinte, os caras eram uns cagados largos, estavam certos, ficaram bilionários da noite para o dia, e estão rindo à toa até hoje. Quase que instantaneamente ( questão de uma década ) surgiram o Fax, o pager, o bipper, o palmtop, o laptop, a web, o mp3, o vírus de computador, os sites pornôs, o 0800, o Gol bolinha, o miojo e o Show do Milhão. O que explica os tempos atuais: uma avalanche de informação, de todo o tipo, a toda hora, em qualquer lugar. Avalanche mesmo.
O negócio chegou a tal ponto que, hoje em dia, nem notamos isso. Porquê ? Simples. Midia é Business, meu caro. Por trás de cada programa de TV, telemensagem, jingle, o escambau, existe um porrilhão de mega corporações atrás de lucro fácil. É aí que entra você, reles fazedor de cocô. Lembra do início do texto: somos bombardeados por todo tipo de informação, mas não sabemos? É sério.
A coisa em questão chama-se mensagem subliminar. Simples: é uma informação que vem disfarçada numa mídia aparentemente inofensiva, como uma música, ou uma imagem, ou uma pessoa, e que anestesia o indivíduo, racha o seu crânio e enfia um monte de balela na cabeça dele, mas sem que ele perceba. Isso acontece diariamente, com todos nós, seja quando nos sentamos em frente a TV, quando ouvimos rádio, recebemos um torpedo, etc. Se bobear, comem o nosso rabo sem que percebamos. Aí fica muito claro entender porque a Gisele Bundchen faz propaganda de absorvente no intervalo dos jogos da Copa do Mundo, e porque a gente cegamente acredita naqueles aparelhos de abdominais ( do tipo "bastam apenas cinco minutos diários"), bem como naqueles remédios emagrecedores feitos com cartilagem de tubarão martelo, embora saiba que o mundo seja bem menos colorido. O pior é que proliferamos esse tipo de praga, enviando torpedos inúteis, telefonemas inúteis, e-mails inúteis e ( embora não admitamos ) ouvindo músicas inúteis e assistindo programas de TV inúteis.
Logo, nota-se que a questão inicial, do ponto de vista do cidadão comum, deixa de ser se precisamos mesmo de tanta informação para ser COMO nos livrarmos de tanta informação, já que, de tão maniqueizados, simplesmente não conseguimos mais sequer imaginar como a humanidade conseguiu viver tanto tempo sem todo esse aparato. Aliás, você conseguiria?
Escrito por Rodrigo Elesbão às 01h15
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A Galvãobuenização do Brasil
Uma dor profunda acomete. Dificulta o caminhar. Um repouso em um sofá ou uma cadeira, um
banquinho que seja, torna-se uma tarefa extremamente difícil. É, meu caro. O boga dói. E dói muito.
Se você é pobre como eu, é brasileiro como eu e, principalmente, se sabe como se joga futebol (
nem é preciso gostar ), deve ter assistido à Copa e torcido pela nossa seleção. E pela Globo. Com o
Galvão Bueno.
Chega a ser patética a forma como o país, de uma hora pra outra, é assolado por um surto de
auto-estima elevada, seguida de patriotismo intenso e camaradismo descompromissado. Isso porque,
nem preciso dizer, em qualquer outra época do ano, até mesmo no Carnaval, ninguém pinta o muro da
casa de verde e amarelo, nem coloca aquelas bainderolas ri-dí-cu-las no alto do carro. O que acontece,
afinal ?

Se durante a maior parte do tempo, a auto estima do brasileiro, como se sabe, é relegada à sola
dos pés, que diabos acontece durante a copa? Se você fizer esta pergunta numa roda de discussão,
com certeza alguém vai citar aquelas frases-prontas-clichê que todo mundo conhece. Dois exemplos:
"Ah, a seleção é a pátria de chuteiras !" - é um bom argumento, até você descobrir que a maioria
absoluta dos jogadores brasileiros atua e reside no exterior, e que muitos não voltam mais nem depois
de encerrar a carreira. Enquanto as seleções de outros países se despediam da torcida em seus
aeroportos nacionais, os jogadores brasileiros já estavam na Europa, e só precisaram deslocar alguns
quilômetros de carro. Outros até se naturalizam, vão jogar por outras seleções. Em outras palavras,
eles querem é distância do lugar onde nasceram, uma vez que, se não fossem os milhões de euros que
os clubes europeus lhes pagam, com certeza seriam uns bostas nenhumas em algum subúrbio do país.
"Ah, o futebol serve para o brasileiro esquecer dos problemas, este povo tãããããão sofrido." - Em
primeiro lugar "esquecer os problemas" tem o mesmo peso de "levar os problemas nas coxas" ou
"empurrar os problemas com a barriga". O resultado está lá no Congresso Nacional. Problemas existem
para serem resolvidos. Segundo: povo sofrido porra nenhuma. Só de não termos homens-bomba, terremotos, ditadores etc.
já estamos em tremenda vantagem. O Brasil é um imenso tio Patinhas pedindo esmola no farol. Somos é desorganizados,
isso sim.
Escrito por Rodrigo Elesbão às 01h14
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Globo-alização
No Brasil, a transmissão dos jogos da Copa do Mundo fica a cargo da Rede Globo, detentora
única dos direitos de transmissão em tv aberta. Só o fato de a maior emissora de televisão do país
monopolizar a transmissão dos jogos já deixa claro o tamanho das cifras envolvidas. Os US$ 250
milhões pagos pelo direito de transmissão são facilmente recuperáveis com a venda de espaço
publicitário durante a transmissão dos jogos. Anunciar num jogo do Brasil na copa às três da tarde sai
mais caro que no horário nobre, o mais valioso de outrora.
Isso deixa claro que, assim como o Carnaval, a Copa do Mundo é, antes de uma manifestação
cultural, um evento comercial. A imagem populesca que ambos os eventos transmitem ao
telespectador escondem um gigantesco aparato corporativo estritamente departamentalizado.
Torcedores vestidos de verde-amarelo, portanto, não passam de notas de cem com perninhas.
Entre outras coisas, e levando-se tudo isso em consideração, fica clara a forma a forma como a
copa nos é vendida. Primeiro: por ser o mais eficiente grupo de comunicação do país, a Globo é uma
ferramenta de difusão cultural sem precentes no Brasil, seja através das novelas ( bebês são batizados
com nome de personagens, e frases de efeito logo caem no vernáculo popular ), ou no Jornal Nacional
( o telejornal proporcionalmente mais assistido no mundo ). E também na Copa.
Atrelar os valores da nação a um evento de futebol tem um efeito potentíssimo. A copa reúne
equipes que representam países, e é, de certa forma, a metaforização das relações comerciais,
políticas e culturas em nível global. Agora, pense: nesse planeta chamado futebol, nós, Brasil, somos o
primeiríssimo mundo. Sacou ? Somos na copa o que não conseguimos ser noutras paragens, como a
política e a economia, os grandes exportadores de cultura futebolística para o mundo inteiro ( de
telenovelas e prostitutas também, mas isso não vem ao caso).
É por isso que, misteriosamente, somos acometidos de um profundo senso patriótico em tempos
de copa do mundo. Misteriosamente, aprendemos a cantar o hino nacional - pra depois esquecermos
novamente ao final da copa. Misteriosamente os patrões tornam-se condescendendes em liberar seus
funcionários para assistir aos jogos mais cedo, afinal eles merecem. Fodam-se a produção e as contas
no fim dos mês ( não é lindo ? ). Misteriosamente os problemas desaparecem, desaparecem os
mensalões, desaparecem as rebeliões do PCC. Misteriosamente.

É claro que toda a movimentação de bastidores é imperceptível, já que a intenção é pegar o
client..., digo, telespectador, pela emoção. E até no garoto-propaganda a Globo acertou: chama-se
Galvão Bueno. Talvez ele nem seja conivente com isso, mas, repare, ele é ou não é uma versão
futebolística daquele cara chato da Casas Bahia ("Quer pagar quanto ?") ? Sob sua tutela narrativa,
uma partida de várzea transforma-se em uma epopéia."Haja, coração!", diz o Galvão-torcedor. A ponto
de extrapolar até mesmo os limites da função e entrar em terreno alheio. " O Brasil tá jogando
recuado, deveria abrir os meias e jogar pelas pontas, né Falcão?"; pergunta o Galvão-comentarista.
Versátil e, acima de tudo, persuasivo. Uma ferramenta de marketing perfeita.
Conste que esta coluna não critica a pessoa do Galvão Bueno. Nem a Globo, que tem mais é que
buscar o lucro, empresa que é ( e que, a bem da verdade, vez por outra joga em prol da cultura made in
Brazil ). E muito menos critica o direito do brasileiro de gostar de futebol, de sonhar a felicidade, de
cultivar valores. Mas, concordemos, se tais sentimentos partissem in natura de dentro do coração dos
brasileiros, e existisse em tempo integral, não só em dia de Copa, com certeza o Brasil seria um país
bem melhor de se vivier.
Por enquanto, curtamos a dor no boga.


Escrito por Rodrigo Elesbão às 01h14
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